FAQs SOBRE PrEP

 


O QUE É A PrEP?
PrEP significa Profilaxia pré-Exposição. É uma nova estratégia que previne a infecção pelo VIH através da toma de um comprimido. Existem diferentes formas de fazer PrEP – diária ou intermitente – a mais usada é a toma oral diária de um comprimido contendo tenofovir e emtricitabina. Vários estudos envolvendo homens que têm sexo com homens comprovaram que a PrEP é altamente efetiva na redução do risco de transmissão do VIH e se corretamente usada confere uma proteção contra o VIH perto de 100%.


COMO FUNCIONA?
Sempre que uma pessoa que está a fazer PrEP for exposta ao VIH, o medicamento impede que o vírus entre nos seus glóbulos brancos e se replique – isto impede o vírus de se disseminar no organismo e como tal não se estabelece a infeção.

COMO SE TOMA?
A forma mais comum é tomar um comprimido de todos os dias. Com este esquema a protecção contra o VIH é de praticamente 100%. Ainda assim quando tomada apenas 4 vezes por semana confere uma proteção superior a 95%. Num estudo francês demonstrou-se que o comprimido também pode ser tomado de forma intermitente, sempre que se prevê uma situação de risco, por exemplo: se se antevê uma relação sexual de risco devem ser tomados 2 comprimidos no dia anterior (até 2 horas antes da relação sexual), um comprimido no dia a seguir e outro comprimido 48 horas depois. Esta pode ser uma forma de PrEP (PrEP intermitente) igualmente eficaz, caso seja possível prever com antecedência relações sexuais.


A PARTIR DE QUE MOMENTO É QUE ESTOU PROTEGIDO, ASSIM QUE INICIO A PrEP?
Assim que se inicia a toma do comprimido diário, deve-se esperar 7 dias até considerarmos que estamos protegidos. Este é o tempo médio para se atingir os níveis sanguíneos do medicamento necessários para evitar a infeção pelo VIH.


QUAIS OS EFEITOS SECUNDÁRIOS?
Como com qualquer outro medicamento, como por exemplo a pílula anticoncetiva, podem ocorrer efeitos secundários. Mas são muito raros, aparecem quase sempre nas primeiras semanas após o início da toma e tendem a desaparecer com o tempo. Os mais frequentes são náuseas e dores de cabeça. O uso continuado pode ainda estar associado a uma queda na função renal e a uma diminuição da densidade óssea, razão pela qual a PrEP deve ser feita com acompanhamento médico.


QUAL A DIFERENÇA ENTRE PrEP E PPE (PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO)?
A PPE consiste na toma de um conjunto de medicamentos (normalmente 3) durante 28 dias após uma situação de risco. Ela serve sobretudo para quando o risco já aconteceu e se pretende impedir a infecção. A PrEP é uma estratégia preventiva, tomada de forma contínua, para impedir a infeção em pessoas que estão em risco. Por isso se usam os prefixos “pré” e “pós”.


A PrEP É MAIS EFICAZ QUE O PRESERVATIVO?
Tanto a PrEP como o preservativo são muito eficazes quando usados correctamente. No caso da PrEP, o uso correcto significa tomar um comprimido uma vez por dia. Já no caso do preservativo implica o seu uso efectivo, a sua correcta colocação, evitar o seu rompimento e a correcta retirada. Sempre que se estudou a eficácia do preservativo em homens que têm sexo com homens (HSH), esta revelou-se muito inferior porque uma boa parte das pessoas não o sabiam colocar ou, mais frequentemente, não o usavam SEMPRE. Um estudo mostrou que num período de 2 anos, apenas 16% dos HSH usaram sempre preservativo – os restantes reportaram falhas ocasionais que os colocou em risco. Existem muitos homens a quem o preservativo não se adequa e perturba a sua vida sexual.


A PrEP SUBSTITUI O PRESERVATIVO?
A PrEP é altamente eficaz na prevenção da infeção pelo VIH. Mas não previne contra outras infeções de transmissão sexual (IST), nem contra gravidezes indesejadas. Muitas pessoas que usam PrEP preferem continuar a usar preservativo. Outras preferem não usá-lo, uma vez que as restantes IST ou têm cura ou podem ser prevenidas com vacinas (o que não acontece com o VIH). Todas as pessoas que fazem PrEP e não usam o preservativo são aconselhadas a fazer rastreio de outras IST de uma forma regular, para que possam ser tratadas sempre que surgirem sem darem sintomas.

QUEM DEVE FAZER PREP?
A PrEP foi estudada sobretudo em homens que têm sexo com homens (HSH). Isto porque a infeção por VIH nesta população continua a aumentar em todo o mundo ocidental e também em Portugal. Mas nem todos os HSH precisam de PrEP. De acordo com o CDC Americano (Center for Disease Control and Prevention) existem critérios para iniciar PrEP: sexo anal desprotegido no último ano, mais do que 10 parceiros sexuais num ano, diagnóstico de mais do que uma IST no último ano ou casais serodiscordantes. Um investigador português, Henrique de Barros, demonstrou que em Lisboa cerca de 80% dos HSH que participaram no estudo Lisbon MSM Cohort tinham indicação para iniciar PrEP, ou seja, 80% dos HSH poderiam estar já a beneficiar da PrEP.

PRECISO DE IR AO MÉDICO PARA TOMAR PrEP?
Sim. A toma da PrEP deve ser sempre acompanhada por um médico. Ela implica a realização de análises para monitorizar a tua função renal, o rastreio da infeção pelo VIH para teres a certeza que és negativo, o rastreio às restantes IST com uma certa periodicidade e para te esclarecer todas as dúvidas que surgirem. 

QUAIS SÃO AS ANÁLISES RECOMENDADAS PARA INICIAR PrEP?
- Teste rápido de VIH
O teste rápido de VIH de 4ª geração é o mínimo necessário para iniciar a PrEP. Este teste deteta a existência de anticorpos e/ou antigénios do VIH. Iniciar a PrEP sem confirmar que se é negativo para a infeção por VIH pode tornar o vírus resistente à medicação da PrEP, o que limita as opções disponíveis para tratar a infeção por VIH posteriormente.
- Teste rápido de VHB (vírus da hepatite B)
É necessário confirmar se existe infeção por VHB antes de iniciar a PrEP, especialmente quando não se está vacinado contra o VHB. Se não existe proteção induzida pela vacinação ou após contacto com VHB, deve-se iniciar a vacinação contra este vírus. Em caso de se confirmar infeção por VHB, deve iniciar-se seguimento médico e tratamento. A maioria das pessoas que vivem com VHB pode fazer a PrEP, mas a interrupção pode reativar de forma grave a infeção por VHB. Isto acontece porque um dos medicamentos da PrEP (tenofovir) faz parte do tratamento crónico da infeção por VHB.
- Testes de função renal
As análises do nível de creatinina e de clearance da creatinina são as mínimas necessárias para iniciar a PrEP. Estes testes ajudam a verificar a função de filtração dos rins. Se o valor de clearance da creatinina for inferior a 60, os rins não estão em condições para filtrar os medicamentos usado na PrEP.
- Rastreio de outras infeções de transmissão sexual (IST)
O rastreio de outras IST está recomendado a cada 6 meses. O rastreio a cada 3 meses pode ser recomendado pelo médico após avaliação do histórico sexual. O rastreio deve incluir recolha de sangue, urina e zaragatoa oral e anal para pesquisa clamídia, gonorreia, sífilis e vírus da hepatite C.


QUAIS SÃO AS ANÁLISES RECOMENDADAS DURANTE A PrEP?
- Teste rápido de VIH
- Testes de função renal
- Rastreio de outras IST
- Testes de função hepática
Os testes de função hepática estão recomendados para quem já usa a PrEP. Estes testes ajudam a verificar a função metabólica do fígado, isto é, se o fígado está capaz de processar os medicamentos usados na PrEP, permitindo que sejam assimilados e atuem com sucesso.

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now